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¿Quién es Rocío Higuera? wish//
Tragédia da Catedral completa 1 m�s

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Há exatamente um mês, a Catedral Metropolitana de Campinas viveu o capítulo mais triste de seus 135 anos de história. Um ambiente de fé e de paz virou palco de uma chacina que deixou seis mortos, incluindo o atirador responsável pelo ataque. Para quem viu de perto as cenas do massacre, esquecer o ruído dos disparos, os minutos de pânico e as manchas de sangue no interior do templo religioso ainda é tarefa das mais complicadas. O Correio Popular  entrou em contato nesta semana com alguns dos sobreviventes e constatou que a maioria deles ainda resiste em voltar à Catedral. “Ainda não consegui ir à Igreja desde então. Só agora estou conseguindo dormir melhor, mas relembrar este pesadelo é muito difícil”, disse a estudante Dirceia Pereira de Oliveira, de 37 anos. “Tenho dificuldade de falar desse dia ainda. Não me sinto bem de lembrar”, comentou a agente comunitária de saúde Giovanna Guedes Cardoso, de 22 anos. O pároco da Catedral, monsenhor Rafael Capelato, lembra que o mês que se passou foi dos mais difíceis. “Recebi muitas pessoas ligadas às famílias das vítimas, que me procuraram para desabafar, chorar e pedir um abraço. Felizmente tivemos a ajuda de alguns psicólogos voluntários que também se prontificaram a amparar essas pessoas”, afirmou. Segundo ele, somente o tempo será capaz de quebrar a barreira do medo e das más lembranças de quem ainda está reticente em voltar à Igreja. “É o tempo que vai curar essa ferida que se abriu. Desde o acontecido, temos nos esforçado muito para retomar as atividades pastorais e sempre falando muito para o povo usar as orações como remédio para essa dor. A Catedral jamais deve deixar de seguir com sua missão que é abrir as suas portas para propagar a paz, a vida e o amor”, pontou. A aposentada Pasqualina Assis de Souza, 76 anos, frequenta a Catedral há cinco décadas e canta no coral da igreja. Ela estava no dia do ataque a tiros. E conta que não foi fácil retornar à paróquia no dia seguinte da tragédia. “Sempre que acaba a missa, ainda ficamos um tempo aqui preparando a próxima missa e as músicas que vamos cantar. Naquele dia, quando percebemos o que ocorreu, ficamos parados e sem reação. Quando vi o rapaz com a arma, pensei que fosse morrer”, relatou, com os olhos marejados. “Foi muito difícil voltar à Catedral no dia seguinte, na missa da purificação. Precisei ir para o psicólogo durante uma semana, porque os estampidos dos tiros não saíam do meu ouvido. Eu não conseguia comer e dormir, só chorava”, completou. Lucas Santos Ambrozini, de 35 anos, é ministro da Eucaristia na Catedral e também estava lá no fatídico 11 de dezembro. Para ele, a fé não pode se abalar pelo ocorrido. “Eu morei 25 anos na periferia, já vi muita coisa parecida. Dá uma impotência saber que não pode fazer nada com um cara armado e sempre dá um receio de isso virar moda, mas não podemos deixar o medo tomar conta da gente. A fé dos verdadeiros cristãos não vai se abalar por isso”, previu. Ventura diz que inquérito do caso está quase pronto De acordo com o delegado-chefe do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 2), José Henrique Ventura, o inquérito que apura as causas do massacre na Catedral está quase finalizado. Resta apenas o depoimento de uma das vítimas — Jandira Prado Monteiro, mãe de Sidnei Vitor Monteiro, uma das vítimas fatais do ataque —, marcado para hoje pela manhã, além de alguns laudos no Instituto de Criminalística (IC). “Vamos ouvir a vítima, reiterar a urgência no encaminhamento dos laudos faltantes e pedir a dilatação do prazo ao juiz por mais 30 dias”, afirmou. Até o momento, as investigações apontam que o atirador responsável pelo ataque, Euler Fernando Grandolpho, sofria de transtornos mentais e “mania de perseguição”. Em várias anotações encontradas em seu quarto, havia textos com referências a atentados e frases em tom de ameaça, prometendo vingança contra algo. As duas armas de fogo utilizadas por ele no ataque eram frias, provavelmente tendo sido adquiridas no Paraguai. O atirador morreu em razão do disparo que fez contra o seu próprio ouvido, depois de ter matado outras cinco pessoas. Cadeiras substituem os bancos atingidos por balas Desde o massacre de 11 de dezembro, 22 bancos atingidos por estilhaços das balas foram levados a uma sala para ser revitalizados. No entanto, este trabalho ainda deve levar alguns meses, já que o prédio da Catedral é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) e este trabalho depende da autorização do órgão. No lugar destes bancos, dezenas de cadeiras foram colocadas de forma improvisada. A segurança também foi reforçada desde a tragédia. Novas câmeras de monitoramento foram instaladas e vigilantes que trabalham no local tiveram de redobrar as atenções. “Qualquer piscada de olho a gente tem que ficar em cima”, disse o vigilante Zeilton Neves de Souza, que viveu uma situação inusitada no dia do Natal. “Entrou um rapaz com uma bola feita com jornal e disse que era panetone. Achei muito suspeito, fiquei desconfiado e mandei ele abrir o papel. Era mesmo panetone”. Nesta sexta, a Catedral Metropolitana de Campinas realizará às 12h15 a missa de um mês em lembrança aos mortos na chacina.